Terça, 24 de Setembro de 2013 às 16:23

Membros da Comissão da Verdade do Rio e parlamentares visitam DOI-Codi/RJ

doicodi

Aconteceu na manhã desta segunda-feira (23/09), a visita da comitiva formada por parlamentares federais e integrantes de Comissões da Verdade ao Departamento de Operações Internas – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do Rio.

Na primeira tentativa de visita ao DOI-Codi, dia 21 de agosto, a entrada não foi autorizada pelo Exército. A segunda, marcada para a última sexta-feira (20/09), foi desmarcada devido a um veto do Exército ao nome da deputada Luiza Erundina (PSB-SP). Mas, nesta segunda-feira (23/09), quatro membros da Comissão da Verdade do Rio – Wadih Damous, Marcelo Cerqueira, Álvaro Caldas e Nadine Borges-; os senadores João Capiberibe (PSB-AP) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP); e as deputadas Luiza Erundina (PSB-SP) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) foram ao local. A visita foi considerada um marco e é vista como o primeiro passo para a transformação do espaço em centro de memória.

"O dia de hoje é histórico. É a primeira vez que se consegue visitar as masmorras do DOI-Codi, onde presos foram torturados e mortos. E este é o primeiro passo para que o local seja transformado em espaço de memória, para que as gerações que não acompanharam esse período possam saber o que aconteceu aqui. Os atuais integrantes das Forças Armadas não têm qualquer responsabilidade por esses crimes. Mas é direito da sociedade saber o que aconteceu.", afirmou o presidente da Comissão da Verdade do Rio, Wadih Damous

Na visita, Wadih entregou ao comandante do quartel, coronel Luciano, um ofício que tem como destinatário o Comando do Exército com pedidos de informações sobre acontecimentos do período da ditadura envolvendo repressão política na ditadura militar.

"Queremos também a abertura dos arquivos da repressão. Temos, ainda, conhecimento de que um oficial do Exército escreveu um relatório sobre a carta-bomba enviada à OAB e queremos ter acesso a ela, assim como a outros documentos que possam auxiliar o trabalho da comissão", completou.

O dia de hoje também ficará marcado para Álvaro Caldas. Tendo hoje 72 anos, ele passou pelo DOI-Codi em 1970 e 1973. Foi submetido a choques elétricos, pau de arara e afogamento.

"O DOI-Codi foi o pior local por que passei na vida. O de maior sofrimento e dor, mas também de alegrias, quando um preso confortava o outro. Volto 40 anos depois. Das duas vezes em que fui preso, entrei com o capuz. A estrutura interna sofreu algumas mudanças, mas é possível reconhecer as salas em que aconteciam as torturas, uma rotina do DOI-Codi. Outros portões precisam ser abertas e esse foi apenas o primeiro. É necessário saber onde estão os mortos e desaparecidos, e também ouvir os torturadores", disse, emocionado, Álvaro.

Para o senador João Capiberibe (PSB-AP), presidente da Subcomissão da Verdade Memória e Justiça do Senado Federal, a ditadura é uma página da história do Brasil que ainda não foi virada.

"A visita ao DOI-Codi do Rio, que foi um dos principais centros de tortura do país, é uma espécie de reconciliação nacional, mas ainda percebemos que, ao negar informações sobre esse período, ainda existe um tabu nas Forças Armadas", explicou o senador Capiberibe.

A visita desta segunda-feira foi o primeiro passo de uma campanha para transformar o prédio do DOI-Codi em um centro de memória, a exemplo do que foi feito com o Dops de São Paulo e outros centros de tortura na Argentina, no Uruguai e no Chile. O DOI-Codi foi o principal centro de torturas do Rio na ditadura militar, que funcionava no I Batalhão da Polícia do Exército, na Rua Barão de Mesquita, 425, na Tijuca.

Fonte: Comissão Estadual do Rio de Janeiro