Filha de Rubens Paiva fala sobre as descobertas da CNV - CNV - Comissão Nacional da Verdade
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A Comissão Nacional da Verdade (CNV), órgão temporário criado pela Lei 12.528, de 18 de novembro de 2011, encerrou suas atividades em 10 de dezembro de 2014, com a entrega de seu Relatório Final. Esta cópia do portal da CNV é mantida pelo Centro de Referência Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional.

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Terça, 05 de Fevereiro de 2013 às 13:34

Filha de Rubens Paiva fala sobre as descobertas da CNV

cnv 050213 veraFoi a primeira manifestação pública da família, após a revelação dos documentos do caso Rubens Paiva pela Comissão da Verdade

"Posso dizer, com prova documental, que meu pai morreu e foi torturado sob a guarda do Estado", disse hoje à tarde em Brasília a psicóloga Vera Paiva, filha do deputado federal cassado Rubens Paiva. Vera agradeceu "profundamente" pela revelação dos documentos apresentados pela Comissão Nacional da Verdade à sociedade ontem."É um privilégio para a nossa família que um dos primeiros casos que começam a serem esclarecidos pela Comissão da Verdade seja o do meu pai", disse.

Vera disse que a família Paiva ainda precisa estudar os termos do atestado de óbito do deputado assassinado para decidir se pedirá alteração, como solicitado pela família Herzog e obtido pela CNV na Justiça.

A família defende a continuidade das investigações. "O cerco está se fechando. Agora precisamos saber quem matou". Vera Paiva também pediu por Justiça: "eu gostaria que todos eles (os autores da morte de Paiva) tivessem os mesmos direitos que meu pai e outros não tiveram: o de um julgamento justo, de acordo com a lei", afirmou.

Vera lembrou as dificuldades que passou no juventude pela terrível sensação causada pelo desaparecimento. "Quantas vezes ouvi coisas do tipo: 'seu pai tá em Cuba, tem outra família´", disse.

A filha de Rubens Paiva disse que são necessárias mais iniciativas para preservar a memória de outros mortos e desaparecidos políticos como o deputado: "a memória de meu pai e outros deveria estar espalhada por museus Brasil afora", disse.

"Chile, África do Sul, Uruguai e Alemanha já disseram ´nunca mais'. No Brasil ainda tem gente que diz que 'no tempo dos militares era melhor'. Nestes países, ninguém pede a volta das ditaduras, do apartheid ou do nazismo", afirmou.

Claudio Fonteles disse que o próximo passo no caso Rubens Paiva é tentar identificar os autores do desaparecimento do deputado. "Foi uma equipe, não foi obra de um só", disse.

"Viemos hoje a público homenagear e parabenizar a Comissão da Verdade e todo o trabalho que tem sido feito até agora. A CNV fez um grande serviço ao revelar como foi que aconteceu a morte de Rubens Paiva", disse Mercadante.

O ministro também lembrou as parcerias entre o ministério e a CNV nos campos de pesquisa e comunicação social. "Uma equipe está trabalhando junto com o MEC atrás de documentos que comprovem perseguição a professores nas universidades", recordou.

O encontro entre Vera Paiva e a imprensa foi realizado no Ministério da Educação e contou com a participação do deputado federal Paulo Teixeira, que anunciou que uma estátua de Rubens Paiva será erigida em local nobre da Câmara dos Deputados. Outros cinco militantes do movimento estudantil paulista nos anos 70 e 80 participaram do encontro. Todos eram colegas de Mercadante e Vera em diversos movimentos pela redemocratização, promovidos por estudantes na USP.

Mercadante, Fonteles e Vera Paiva pediram na entrevista que pessoas que tenham documentos ou revelações sobre graves violações de direitos humanos ocorridas no país entre 1946 e 1988 procurem a Comissão Nacional da Verdade. Claudio Fonteles ressaltou que as informações podem ser prestadas sob anonimato.

 

Comissão Nacional da Verdade
Assessoria de Comunicação
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